Instituições de ensino no Brasil: alvo crescente de cibercriminosos
Olá! Aqui é o Rafael M., seu educador em segurança digital. Hoje vamos conversar sobre um assunto que afeta diretamente milhares de famílias brasileiras: a segurança das informações em escolas e universidades. Você já parou para pensar em quantos dados pessoais uma instituição de ensino guarda sobre você ou seus filhos? Nome, CPF, endereço, telefone, dados dos pais, histórico escolar... É um tesouro para criminosos.
Uma análise recente da Kaspersky sobre incidentes em instituições de ensino no Brasil revelou dados alarmantes. O relatório, que você pode conferir na íntegra aqui, mostra que essas organizações estão cada vez mais na mira de ataques cibernéticos. E o pior: muitas vezes, os golpes são simples e exploram falhas básicas.
Por que as escolas são alvos tão atraentes?
Ambientes educacionais são complexos. Diferente de empresas, eles precisam atender a diversos públicos: alunos, professores, funcionários, fornecedores e visitantes. Cada grupo tem necessidades diferentes de acesso à rede, o que dificulta a aplicação de políticas de segurança consistentes. Além disso, muitos sistemas de gestão de dados pessoais são antigos ou não recebem atualizações adequadas, deixando brechas conhecidas abertas.
Segundo o relatório, entre janeiro de 2025 e junho de 2026, a maioria dos ataques se concentrou no estado de São Paulo, mas também houve casos no Rio de Janeiro e em Pernambuco. As instituições privadas foram as mais visadas, representando 60% dos incidentes, enquanto as públicas responderam por 40%.
Os motivos para solicitar resposta a incidentes variaram, mas os mais comuns foram atividades suspeitas em endpoints, arquivos criptografados e presença de arquivos maliciosos. E atenção: 40% dos incidentes foram classificados como de alta gravidade, principalmente relacionados a ataques de ransomware.
O que os criminosos estão fazendo?
Os vetores iniciais de acesso mais comuns foram o uso de contas válidas vazadas, exploração de aplicações voltadas para a internet e ameaças internas (insiders). Ou seja, muitas vezes o atacante não precisa de técnicas sofisticadas: basta uma senha vazada ou um funcionário desatento.
Uma vez dentro da rede, os criminosos usam ferramentas legítimas para se mover sem levantar suspeitas, como AnyDesk e PsExec. Eles também empregam malwares que desativam antivírus e, em casos de ransomware, utilizam variantes como DragonForce e LockBit 3. O LockBit 3 é particularmente interessante porque seu builder vazou em 2022, permitindo que qualquer pessoa crie versões personalizadas do ransomware.
Um caso curioso descrito no relatório envolveu o uso de um LockBit customizado que não tinha as opções de propagação automática ativadas. Isso obrigou o atacante a se mover manualmente pela rede, o que deixou rastros que ajudaram na investigação. Foi possível identificar os computadores comprometidos analisando o USN Journal do Windows, que registra alterações em arquivos. Incrível, não?
O que isso tem a ver com o golpe do falso suporte técnico?
Você já recebeu uma ligação ou pop-up dizendo que seu computador está infectado e que você precisa ligar para um "suporte técnico"? Esse é o golpe do falso suporte técnico, e ele está diretamente relacionado aos ataques a instituições de ensino.
Imagine que os dados de uma escola vazam. Entre eles, estão números de telefone e e-mails de pais e alunos. Os criminosos usam essas informações para aplicar o golpe do falso suporte: ligam se passando por técnicos de empresas conhecidas, dizem que detectaram um problema no dispositivo da vítima e pedem acesso remoto. Com isso, instalam malwares, roubam senhas e até sequestram dados.
O relatório da Kaspersky destaca que os dados vazados de instituições de ensino incluem CPF, endereço, telefone e até nomes dos pais. Esses dados são perfeitos para dar credibilidade a golpes de engenharia social. Por isso, é fundamental que todos saibam reconhecer e evitar esse tipo de fraude.
Como se proteger do golpe do falso suporte técnico?
Aqui vão algumas dicas práticas:
- Desconfie de contatos não solicitados: Empresas legítimas não ligam do nada oferecendo suporte. Se você não abriu um chamado, desconfie.
- Nunca forneça acesso remoto: Não instale softwares como AnyDesk ou TeamViewer a pedido de terceiros. Eles podem assumir o controle do seu computador.
- Não clique em pop-ups alarmantes: Se aparecer uma mensagem dizendo que seu PC está infectado, não clique. Feche o navegador e rode seu antivírus.
- Verifique o número de telefone: Se alguém ligar se passando por uma empresa, desligue e ligue você mesmo para o número oficial.
- Eduque sua família: Converse com crianças e idosos sobre esses golpes. Eles são os alvos mais vulneráveis.
Como as instituições podem se proteger?
O relatório da Kaspersky traz recomendações valiosas para escolas e universidades. Vamos resumi-las em passos práticos:
- Mantenha sistemas atualizados: O relatório mostrou que muitas instituições ainda usam Windows 10 (que saiu de suporte em outubro de 2025) e Windows Server 2016 sem patches. Isso é um convite para ataques. Atualize tudo.
- Implemente autenticação multifator (MFA): Isso dificulta o uso de contas vazadas. Mesmo que a senha seja descoberta, o atacante não conseguirá entrar sem o segundo fator.
- Monitore atividades suspeitas: Use ferramentas que detectem comportamentos anormais, como tentativas de escalonamento de privilégios ou uso de ferramentas como PsExec.
- Segmente a rede: Separe a rede de alunos da rede administrativa. Assim, um comprometimento em uma área não afeta a outra.
- Faça backups regularmente: Em caso de ransomware, ter backups íntegros e offline é a melhor defesa.
- Treine funcionários e alunos: A conscientização é a primeira linha de defesa. Ensine a reconhecer e-mails de phishing e ligações fraudulentas.
Conclusão: proteja seus dados e sua família
Os ataques a instituições de ensino são uma realidade crescente no Brasil. Os dados vazados dessas organizações podem ser usados para uma variedade de golpes, incluindo o falso suporte técnico. Por isso, é essencial que todos adotem boas práticas de segurança digital e que as instituições invistam em proteção adequada.
E você? Já verificou se seus dados foram expostos em algum vazamento? Saber se suas informações estão circulando por aí é o primeiro passo para se proteger. Na Kzarka, você pode verificar gratuitamente se seus dados apareceram em vazamentos e ainda monitorar sua identidade digital continuamente. Não espere ser a próxima vítima: aja agora!
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Por que instituições de ensino são alvos frequentes de ataques cibernéticos?
Porque elas guardam muitos dados pessoais valiosos (CPF, endereços, telefones) e muitas vezes têm sistemas desatualizados e políticas de segurança frágeis, tornando-as alvos fáceis para criminosos.
2. O que é o golpe do falso suporte técnico?
É um golpe em que criminosos se passam por técnicos de empresas conhecidas, alegam que seu computador está com problemas e pedem acesso remoto para roubar dados ou instalar malwares.
3. Como posso saber se meus dados vazaram de uma escola ou universidade?
Você pode usar serviços de monitoramento de vazamentos, como o oferecido pela Kzarka, que verifica se suas informações pessoais apareceram em bases de dados expostas.
4. O que devo fazer se cair no golpe do falso suporte técnico?
Desconecte o computador da internet, rode um antivírus, troque todas as suas senhas e monitore suas contas bancárias. Considere também congelar seu crédito e registrar um boletim de ocorrência.
5. As escolas são obrigadas a notificar vazamentos de dados?
Sim, pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), as instituições de ensino devem notificar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e os titulares dos dados em caso de incidente de segurança que possa causar risco ou dano relevante.