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Modelos de Urna Eletrônica nas Eleições 2026 e Segurança

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7 min de leitura
22/09/2026 às 22:11

As eleições de 2026 no Brasil mobilizarão mais de 158 milhões de eleitores, e a Justiça Eleitoral já definiu o parque de urnas eletrônicas que será utilizado. Serão quatro modelos distintos, totalizando 563.910 equipamentos distribuídos por todas as seções eleitorais do país. Embora os aparelhos variem em idade e design, todos passam por rigorosos processos de segurança e auditoria, garantindo a integridade do voto. Neste artigo, vamos detalhar cada modelo, suas características técnicas e como a segurança é mantida em todos eles.

Quais modelos de urna eletrônica serão usados em 2026?

A Justiça Eleitoral empregará quatro modelos de urna eletrônica nas eleições de outubro de 2026: UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013. A distribuição é a seguinte:

  • UE2022: 217.145 unidades
  • UE2020: 222.323 unidades
  • UE2015: 95.065 unidades
  • UE2013: 29.377 unidades

Os modelos mais recentes (UE2022 e UE2020) pertencem à segunda geração, fabricados a partir de 2021, e representam cerca de 77% do total. Os modelos mais antigos (UE2015 e UE2013) ainda compõem aproximadamente um quarto das urnas em uso. A alocação específica por zona e seção eleitoral é definida pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), seguindo diretrizes logísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

UE2022: o modelo mais novo

Fabricada em 2023 pela Positivo, a UE2022 é tecnicamente quase idêntica à UE2020. As diferenças são principalmente no design do gabinete e em pequenos ajustes de construção. Apesar de ser o modelo mais recente, a quantidade disponibilizada (217.145) é ligeiramente inferior ao lote originalmente encomendado, que era de quase 220 mil unidades. Essa redução pode ser atribuída a ajustes no planejamento e à possibilidade de algumas unidades estarem em manutenção ou reserva técnica.

Características técnicas da UE2022

A UE2022 mantém o mesmo hardware da geração anterior, incluindo processador mais rápido, tela sensível ao toque para o mesário e baterias de lítio-ferro-fosfato. Essas melhorias proporcionam maior eficiência energética e confiabilidade, especialmente em locais remotos ou com fornecimento de energia instável.

UE2020: o salto tecnológico

A UE2020 marcou a estreia da segunda geração de urnas eletrônicas e será o modelo mais comum nas eleições de 2026, com 222.323 unidades. Fabricada pela Positivo em 2021, essa urna representou um avanço significativo em relação à primeira geração. O processamento foi aumentado em 18 vezes em comparação com a UE2015, o que permite uma inicialização mais rápida e maior fluidez na operação.

Inovações da UE2020

Além do aumento de desempenho, a UE2020 introduziu a tela sensível ao toque no terminal do mesário, substituindo os botões físicos. O design do painel do eleitor também foi atualizado, com uma tela maior e melhor disposição dos componentes. As baterias passaram a ser de lítio-ferro-fosfato, mais duráveis e seguras do que as antigas de chumbo-ácido. O hardware de segurança foi aprimorado com novos módulos criptográficos.

UE2015 e UE2013: ainda são seguras?

Os modelos UE2015 e UE2013 são os últimos representantes da primeira geração de urnas eletrônicas. Fabricadas em 2016 e 2014 pela empresa Diebold, respectivamente, essas urnas ainda estarão presentes em cerca de 25% das seções eleitorais. Apesar do design mais antigo, elas continuam plenamente seguras e confiáveis.

Ambos os modelos operam com os mesmos princípios criptográficos das urnas mais modernas. A cada eleição, a Justiça Eleitoral instala um novo software, idêntico para todas as máquinas, garantindo que as funcionalidades e a segurança sejam uniformes. As urnas antigas passam por manutenção periódica e auditorias rigorosas, assegurando que estejam em perfeitas condições de uso.

Por que manter urnas antigas?

A vida útil de uma urna eletrônica é de aproximadamente 10 anos. Durante esse período, elas são submetidas a manutenções regulares e testes de integridade. Quando atingem o fim da vida útil, são vendidas para reciclagem, com reaproveitamento de até 95% dos materiais. Para substituir as urnas descartadas, o TSE realiza licitações para aquisição de novos lotes. Enquanto isso, as urnas antigas continuam em operação, desde que atendam aos requisitos de segurança.

Diferenças visuais e funcionais para o eleitor

Para o eleitor, a principal diferença entre os modelos é visual. As urnas de segunda geração (UE2022 e UE2020) possuem um gabinete quase quadrado, com a tela posicionada acima do teclado. Já os modelos de primeira geração (UE2015 e UE2013) mantêm o design tradicional, com o visor ao lado das teclas. Além disso, as novas urnas contam com tela sensível ao toque para o mesário, enquanto as antigas usam botões físicos.

Em termos de acessibilidade, a UE2020 e a UE2022 trouxeram melhorias significativas. Elas incluem um sintetizador de voz que pronuncia o nome dos candidatos, auxiliando eleitores com deficiência visual, e um intérprete de Libras na tela, para eleitores surdos. Esses recursos não estão presentes nos modelos mais antigos, mas a Justiça Eleitoral disponibiliza fones de ouvido e outras adaptações para garantir a acessibilidade em todas as seções.

Como funciona a segurança da urna eletrônica?

A segurança das urnas eletrônicas brasileiras é reconhecida mundialmente. Cada equipamento possui múltiplas camadas de proteção, que vão desde o isolamento físico até a criptografia avançada. A seguir, detalhamos os principais mecanismos:

Isolamento e criptografia

As urnas não possuem conexão com a internet ou com qualquer outro dispositivo, o que elimina a possibilidade de ataques remotos. Elas só funcionam com os sistemas oficiais fornecidos pelo TSE. Um módulo criptográfico dedicado protege todas as informações armazenadas e transmitidas, impedindo tentativas de interceptação ou adulteração.

Auditoria pública e Teste Público de Segurança

Antes de cada eleição, os códigos-fonte e os sistemas eleitorais ficam disponíveis para consulta pública por quase um ano. Durante esse período, partidos políticos, universidades, organizações da sociedade civil e especialistas em segurança podem inspecionar o material em busca de vulnerabilidades. Além disso, o TSE realiza o Teste Público de Segurança, no qual hackers e pesquisadores são convidados a tentar quebrar a segurança das urnas. Qualquer falha encontrada é corrigida antes da eleição.

Assinatura digital e lacração

Após os testes, os programas são assinados digitalmente e lacrados em cerimônia pública na sede do TSE, em Brasília. A partir desse momento, o pacote de arquivos é inserido na memória das urnas e não pode ser alterado até o fim da votação. Qualquer tentativa de violação física ou lógica é detectada e a urna é automaticamente bloqueada.

Comparativo entre os modelos de urna eletrônica

Para facilitar a visualização das diferenças, apresentamos uma tabela comparativa com as principais características de cada modelo:

CaracterísticaUE2022UE2020UE2015UE2013
Ano de fabricação2023202120162014
FabricantePositivoPositivoDieboldDiebold
GeraçãoSegundaSegundaPrimeiraPrimeira
Processamento18x mais rápido que UE201518x mais rápido que UE2015Padrão da épocaPadrão da época
Tela do mesárioSensível ao toqueSensível ao toqueBotões físicosBotões físicos
BateriaLítio-ferro-fosfatoLítio-ferro-fosfatoChumbo-ácidoChumbo-ácido
AcessibilidadeSintetizador de voz e LibrasSintetizador de voz e LibrasLimitadaLimitada
Quantidade em 2026217.145222.32395.06529.377

Como se pode observar, todos os modelos, independentemente da geração, compartilham os mesmos princípios de segurança. A escolha de manter urnas antigas em operação é baseada em critérios técnicos e econômicos, sem comprometer a confiabilidade do processo eleitoral.

Conclusão

As eleições de 2026 utilizarão uma combinação de quatro modelos de urna eletrônica, cada um com suas particularidades técnicas. A segunda geração, representada pelas UE2022 e UE2020, traz avanços em processamento, acessibilidade e eficiência energética. Os modelos mais antigos, UE2015 e UE2013, continuam seguros e operacionais, graças aos mesmos protocolos criptográficos e às auditorias constantes. A segurança do voto é garantida por um conjunto robusto de medidas, incluindo isolamento físico, criptografia, testes públicos e lacração digital. Assim, o eleitor pode confiar que sua escolha será registrada com integridade, independentemente do modelo de urna utilizado em sua seção.

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