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Eleitores e IA: quantos usam IA para escolher voto?

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7 min de leitura
10/09/2026 às 23:27

O uso de inteligência artificial para apoiar decisões eleitorais deixou de ser um fenômeno marginal. Em diferentes partes do mundo, eleitores estão recorrendo a assistentes virtuais, chatbots e ferramentas de análise automatizada para se informar sobre candidatos, comparar propostas e até mesmo definir o voto. Os números variam conforme a cultura política, o acesso à tecnologia e a confiança nas instituições, mas revelam uma tendência global que merece atenção — especialmente quando se considera o impacto potencial na integridade dos processos democráticos.

Panorama global: quem consulta IA para decidir o voto

Pesquisas recentes em cinco países ou regiões, com metodologias distintas, mostram que a disposição para consultar IA varia enormemente. O Brasil desponta com o maior percentual, enquanto os Estados Unidos apresentam o menor. A tabela abaixo sintetiza os dados disponíveis:

País/Região Fonte da Pesquisa Percentual que consultaria/já consultou IA Observações
Brasil Projeto Brief, 2.483 pessoas 62,9% Maior índice entre os pesquisados
Reino Unido AIPRM, teste às cegas, 2 mil pessoas 46% Mede persuasão do conteúdo de IA, não intenção declarada
Europa (10 países) IE University, ~3 mil pessoas 31% Média europeia
Israel Geocartography 25%
EUA Univ. Chicago / AP-NORC, 2023 14% Menor índice

É importante notar que as metodologias não são diretamente comparáveis. No Reino Unido, por exemplo, o número de 46% não reflete a intenção de usar IA, mas sim o poder de persuasão de promessas políticas geradas por IA quando apresentadas sem identificação de origem. Ainda assim, o quadro geral indica que a IA já é um ator relevante no ecossistema informacional eleitoral.

O caso brasileiro: um mergulho nos 62,9%

O Brasil lidera com folga a disposição para consultar IA na decisão de voto. No entanto, esse número agregado esconde nuances comportamentais cruciais. A pesquisa do Projeto Brief, com 2.483 entrevistados, segmentou os respondentes conforme a atitude em relação à IA como fonte de informação política:

  • 40,5% consultam a IA, mas checam a resposta em outra fonte;
  • 22,4% tratam a IA como fonte útil, igual a qualquer outra;
  • 23,2% preferem fontes humanas (jornalismo, debates);
  • 13,9% não confiam em IA para informação política.

O grupo majoritário, portanto, não é o que segue cegamente as recomendações de um algoritmo, mas sim o que usa a IA como ponto de partida e depois busca validação em outras fontes. Esse comportamento de checagem é mais presente entre os jovens: 42,8% dos brasileiros de 18 a 29 anos consultam a IA e confirmam a resposta em outro lugar antes de decidir. Há também diferenças de gênero e faixa etária: homens (26,9%) declaram mais confiança na IA como fonte do que mulheres (18,1%), e a faixa de 30 a 45 anos é a mais aberta ao uso (26,2%).

Contudo, a eficácia dessa checagem é questionável. O mesmo levantamento revelou que muitos entrevistados não conseguem distinguir conteúdo real de sintético. Em um teste com vídeo gerado por IA, apenas 45,3% identificaram corretamente o material como artificial, enquanto 33% acreditaram que era original e 21,7% não souberam diferenciar. Isso sugere que a verificação em outras fontes pode não ser suficiente se o eleitor não tiver habilidades de alfabetização midiática para avaliar a autenticidade do que encontra.

Implicações para a integridade eleitoral

A crescente adoção de IA para decisões de voto levanta questões sérias sobre a integridade dos processos democráticos. A possibilidade de manipulação por meio de deepfakes, bots e campanhas de desinformação automatizadas é real e já documentada. Se uma parcela significativa do eleitorado confia na IA como fonte primária, mesmo que parcialmente, a disseminação de conteúdo falso ou tendencioso pode ter efeitos desproporcionais.

Além disso, a dependência de algoritmos opacos para orientação política pode reduzir a deliberação democrática. Quando um eleitor pergunta a um chatbot "em quem devo votar?", a resposta pode ser influenciada por vieses nos dados de treinamento, pela curadoria do provedor ou até por interesses comerciais. A transparência sobre como essas respostas são geradas é mínima, e os eleitores raramente têm meios de auditar as fontes ou a lógica por trás das recomendações.

Riscos de segurança digital e proteção de dados

Do ponto de vista da segurança da informação, o uso de IA para decisões eleitorais amplia a superfície de ataque. Plataformas de IA coletam dados pessoais, preferências políticas e padrões de navegação, que podem ser alvo de vazamentos ou uso indevido. Em um cenário em que 62,9% dos brasileiros estariam dispostos a consultar uma IA, a quantidade de dados sensíveis em circulação é imensa.

A Kzarka, como plataforma de monitoramento de vazamentos de dados e proteção contra roubo de identidade digital, alerta para os riscos específicos desse contexto. Eleitores que interagem com assistentes de IA para obter informações políticas podem inadvertidamente expor suas inclinações ideológicas, que são dados sensíveis sob a LGPD. Se essas informações vazarem, podem ser usadas para chantagem, discriminação ou manipulação direcionada.

Além disso, a proliferação de aplicativos e sites falsos que se passam por ferramentas legítimas de IA é uma ameaça concreta. Cibercriminosos podem criar chatbots maliciosos que, sob o pretexto de ajudar na escolha do voto, instalam malware ou roubam credenciais. A verificação da autenticidade da plataforma é essencial, assim como o uso de soluções de monitoramento de identidade para detectar exposições precoces.

Boas práticas para eleitores que usam IA

Para mitigar os riscos, especialistas recomendam uma abordagem cautelosa. Primeiro, trate a IA como uma ferramenta de apoio, não como oráculo. Use-a para levantar tópicos, comparar propostas e identificar fontes primárias, mas sempre confirme as informações em sites oficiais de candidatos, tribunais eleitorais e veículos de imprensa estabelecidos.

Segundo, proteja sua privacidade. Evite fornecer dados pessoais desnecessários e utilize contas descartáveis ou anônimas quando possível. Monitore regularmente se suas informações aparecem em vazamentos, utilizando serviços especializados como o da Kzarka. A detecção precoce de exposição pode evitar danos maiores.

Terceiro, desenvolva habilidades de verificação de fatos. Desconfie de respostas muito categóricas ou emocionais. Cruze dados com fontes independentes e esteja atento a sinais de deepfake, como inconsistências audiovisuais. A alfabetização digital é a primeira linha de defesa contra a manipulação.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. Qual país tem o maior percentual de eleitores que consultariam IA para decidir o voto?

O Brasil lidera com 62,9%, segundo pesquisa do Projeto Brief com 2.483 pessoas. É o maior índice entre os países pesquisados, superando Reino Unido (46%), Europa (31%), Israel (25%) e EUA (14%).

2. Os eleitores confiam cegamente na IA para escolher candidatos?

Não. A maioria (40,5% no Brasil) consulta a IA, mas checa a resposta em outra fonte. Apenas 22,4% tratam a IA como fonte igual a qualquer outra. No entanto, a eficácia da checagem é limitada pela dificuldade em identificar conteúdo sintético.

3. Quais são os principais riscos de usar IA para decisões eleitorais?

Os riscos incluem exposição a desinformação, manipulação por deepfakes, coleta indevida de dados pessoais sensíveis e possibilidade de vazamentos. Plataformas maliciosas podem se passar por assistentes legítimos para roubar informações ou instalar malware.

4. Como posso me proteger ao usar IA para me informar sobre política?

Use a IA apenas como ponto de partida, confirme informações em fontes oficiais e independentes, evite compartilhar dados pessoais, monitore vazamentos com serviços como o da Kzarka e desenvolva habilidades de verificação de fatos para identificar deepfakes e conteúdo falso.

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